1. EDITORIAL 15.8.12

"MENSALO, PRIMEIRO ATO "
Carlos Jos Marques, diretor editorial

As teses de defesa e acusao mostradas na semana passada esto nos autos do processo tim-tim por tim-tim. Mas o teatro das apresentaes no palco do STF faz bem  democracia. O que no faz bem e pode comprometer as prticas democrticas so advogados e procuradores jogando para a torcida com ilaes espetaculosas ou ministro da corte suprema avaliando publicamente o andamento dos trabalhos como se fosse narrador de futebol  imaginando-se talvez num bate-papo de botequim. Tambm fogem aos padres da boa democracia rus que usam de artimanhas para no comparecer ao prprio julgamento e que adotam a ttica marota de assumir crimes j prescritos como se fosse coisa normal, na esperana de se livrarem das grandes acusaes. A prtica do caixa 2, pela confisso despudorada de alguns, sem medo de punies, agora  vendida por aqui como algo corriqueiro, do tipo todo mundo faz e no merece pena. Estaria, digamos assim, no script habitual da poltica brasileira. O trfico de influncia na compra de apoio parlamentar tambm ganhou eufemismos. O dinheiro vivo na cueca ou sacado na boca do caixa virou farsa.
 
O espetculo do julgamento do mensalo est apenas no seu primeiro ato e, naturalmente, ainda no se sabe quem triunfar ou perder no final. Mas uma coisa  certa: muitas mscaras devem cair. E, de cara limpa, juzes, rus, defensores e acusadores tero seus papis e o enredo que montaram avaliados pela grande plateia da opinio pblica brasileira. O que ningum espera  pastelo. Os captulos novelescos dessa histria tendem a ganhar maior audincia com a aproximao do desfecho  e o fim de eventos paralelos, como a Olimpada, que desviaram por esses dias a ateno geral. O prprio ministro do Esporte, Aldo Rebelo, falou desse desvio de ateno, mas usou uma frase infeliz nos dois sentidos  tanto para a turma do mensalo quanto para os atletas brasileiros. Disse Rebelo: O que seria melhor? O mensalo tirar os holofotes do pssimo desempenho olmpico do Brasil ou o contrrio?
